William Killick:No harm will ever come to you. Not from me, not from anyone else. And while I'm here, no word of mine will ever hurt you.
Vera Phillips:Sounds like a vow.
Rendi-me, não ao ritmo da história, ao argumento (pouco favorável) ou à dinâmica (quase inexistente); rendi-me à fotografia do filme, à doçura das actrizes, ao charme dos actores, ao primor das cores, da luz, do cenário, do pouso do amor, inebriado de romantismo, ainda que só durante um flash de segundo!
Rendi-me à generosidade daquela amizade, da ingenuidade à ternura, de onde saltam umas destrambelhadas onde, claramente, me revejo, nos revemos!
Um je ne sais quoi bem pitoresco onde espelho o meu trilhar neste Verão de S.Martinho!
Tentei disfarçar a agonia que me ia na cara, a repulsa que me transpirava pelo corpo. O esganiçar de vozes que me apavoravam em ecos surdos.Tentei querer-te de outro modo, mas não sei fazê-lo senão quando chega a hora da despedida. Tentei pronunciar o teu nome como querias e ouvir o meu como desejava, deixar a porta aberta, mas também o estavam as feridas. Tentei não atraiçoar a vontade ao lembrar-me das ausências crónicas, não ir embora na esperança de que o que senti ficasse sempre dentro de mim. Mas as portas batem e a sala fica escura, as promessas esgotam-se e as mentiras iluminam-nos. O choro faz concorrência a uma bátega violenta que se abate lá fora, doeu-me ver-te cair, não fazer da tua altivez a minha força, da tua prepotência o meu esconderijo, não ter a tua ironia para me guerrear, perder a tua arrogância para a fragilidade, não querer dar o ombro, por não mais conseguir, entre a náusea de rostos que me perseguem, dar a vida que sempre quis.
Permaneço diante dos mostradores, acelerando as horas com o pensamento doído, na esperança de escapar aos espasmos mentais que me enjoam a madrugada e fazem suar o corpo. Não consigo disfarçar o nojo ao soletrar aquelas letras, ao visualizar no ecrã diálogos assustadores, ao engolir o que explicaste quando nunca explicaste a mim, a companhia que fizeste quando não a fizeste, ao sentir a pele molhada de água salgada quando era eu ali ao lado. Não evitar como a dor deu lugar ao engulho, como me sento agora aqui, despida de tudo o que fui, como uma herege ao falar de Deus, a fazer malabarismo com os pensamentos para não arrepender.
Lembrar-te-às do meu riso nas tardes de Inverno?! Saberás o meu número quando a noite cair?!
Faço figas para livrar-me do pecado, murmurando que não foram só noites de lua cheia.
Confundiam-se com os holofotes, por entre os corredores, dois passos para aqui, dois para ali, o chão gastava-se mas eles lá continuavam, perfidamente a observar!
Podia desenhar por entre linhas e entrelinhas estas histórias, do arrebatar do coração ao acordar desenfreado quando os fantasmas nos saem debaixo da cama. As caminhadas a passos largos de quem descobre as sete maravilhas, de como prometi não te esquecer quando te vi sorrir. E os mostradores, imponentes, amaldiçoando as minhas horas de quem ainda me fez acelerar na confusão. A ambiguidade que se desdobra lenta e penosamente ao longo da ponte onde no meio, estou eu - com o rosto abafado pelos cabelos - espreitando por entre as madeixas, de onde vim e para onde vamos. Largo o meu escudo e saio a correr para onde ainda não conheço, escolhi! De quem ficou para trás - por entre a chuva que se une ao rio que vamos deixando - ficam histórias que o tempo guardou e me lembrou de voltar a lê-las.
E assim se segue, de mãos dadas num nó cego desenlaçado dos que ficaram lá, pelo caminho, aferrados a uma certeza que, passados para trás, não sabem desemaranhar.
E eu vou, pronta para cair de um terceiro andar, ou até das nuvens, porque antes sei que vamos lá chegar!
"À noite, entre sonhos alterados pelo álcool e as drogas leves, tu apareces-lhe na cama e ele volta a sentir o cheiro da tua pele e volta a amar-te com todas as suas forças. Ainda que não acredites, tu viverás para sempre nele, tal como ele vive em ti, na memória das tua células, num passado que pode ser o teu escudo, mesmo que não seja o teu futuro. (...)
E quando todas as laranjas caírem, apanha-as com cuidado, guarda-as num cesto e muda de profissão. O circo é para quem não tem casa nem país, não é vida para ninguém. Guarda as laranjas num cesto, leva-as para casa e faz um bolo de saudades para esquecer a mágoa. E nunca deixes de sonhar que, um dia, vais encontrar alguém mais próximo e mais generoso, que te ensine a ser feliz, mesmo com todas as pedras que encontrarem no caminho. Larga as laranjas e muda de vida. A vida vai mudar contigo."
"Quando penso em nós dois deixo tudo pra depois, quando penso em nós três fica pra outra vez."
A inocência da tenra idade assola os dias mais frios que se avizinham, as paisagens de Inverno que não aquecem ao cair da noite e por isso, sempre por isso, vão de encontro aos corações de manteiga que fazem da cabeça um espaço para o amor morar:
Não espero que me toques nos lábios, já tão pecados pela paixão. Que me envolvas entre lençóis de seda ou faças cruzar os dedos por entre caracóis já rasgados pelo vento.
Contraio fervorosamente as pálpebras, aperto-te contra o meu cérebro e espero que me beijes a alma, ou os olhos com a ponta dos dedos, que me abraces do outro lado do rio até adormecermos e deixes que os barcos marquem a fronteira dos nossos sonhos.
Quero que venhas comigo no autocarro, na minha cabeça, no bombardear de células que me fazem ir até ao fim do mundo durante a viagem. Quero que me magoes os pensamentos de tão magistrais que conseguem ser, que me faças acordar cedo quando ainda não adormeci.
Abraça-me com poesia e conta-me como foi o teu dia, com amor!
"What the world needs now is love, sweet love No, not just for some, but for everyone"